sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Preguiça: o nosso maior pecado.
Há tempos venho tentando entender algumas falhas humanas. Resolver esse defeitos é impossível, mas entendê-los ajuda-nos a conviver com eles. Ao menos me ajuda.
De tudo que vi, concluí que somos mesmo muito preguiçosos.
Falo não apenas de uma preguiça física, mas que transcende isso e vai muito além. Não se trata de fazer exercícios ou mesmo de adquirir conhecimento. Nossa preguiça se instalou nas relações. Em todas elas.
Mário Quintana já dizia que a preguiça é a mãe do progresso e talvez seja mesmo. Em busca de facilitar a nossa vida, avançamos tecnologicamente e tornamos tudo cada vez mais fácil e cômodo. Não precisamos nem mesmo sair de casa para comprar algo, para comer, ou para visitar um amigo. Por preguiça, as relações humanas estão cada vez mais mecanizadas nas telas de computadores. Hoje estamos próximos de quem está do outro lado do mundo graças a internet e muito longe dos nossos vizinhos e amigos que moram por perto.
Por preguiça, não conhecemos o outro nem nos damos a conhecer. Paramos no que é supérfluo. Dá menos trabalho uma conversa superficial.
Por preguiça ignoramos algumas pessoas que julgamos estarem erradas em algo. Dá muito menos trabalho que uma conversa franca e uma tentativa de entendimento.
Por preguiça, julgamos a aparência e decidimos se alguém é bom ou mau. Preconceito dá menos trabalho que encarar as diferenças e aprender a conviver com elas.
Fala-se muito em vida saudável, em corpo bonito. Mas poucos se lembram de exercitar a alma. Temos preguiça de amar. Preguiça de exercitar a paciência e compreensão necessárias ao amor. Vivemos apenas de paixões. E essas paixões preguiçosas imperam em todas as nossas relações. É mais fácil ter alguns prazeres que procurar a felicidade.
Por nossa preguiça, tudo se tornou efêmero. Tudo é cada vez mais passageiro. E passa cada vez mais rápido. Temos preguiça de crescer e ajudar o outro a fazê-lo. Aliás, é preguiça até mesmo de reconhecer em que podemos ajudar no crescimento do outro e também de aprender com ele. Temos a preguiça nas relações pessoais, profissionais e até políticas. Apaixonadamente nos indignamos com o que julgamos estar errado. Mas nos falta força, amor sem preguiças, para lutar pelo que é certo.
Talvez, quando voltarmos a nos relacionar com um pouco mais de disposição, as coisas se tornem mais firmes, mais plausíveis, mais concretas. Mas acho que a preguiça é tão grande que atrapalha até mesmo a nossa visão.
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